Red Bull teria recusado US$ 3 bilhões pela Racing Bulls; por que a equipe vale tanto?
A Red Bull teria rejeitado uma proposta de US$ 3 bilhões — aproximadamente R$ 15,3 bilhões — pela Racing Bulls. Segundo o jornal britânico The Times, a oferta foi liderada por Dean Attew e Andrew Herriot, com apoio financeiro de Abu Dhabi. A negociação não foi confirmada publicamente pelas partes envolvidas.
A Racing Bulls pode ocupar o papel de equipe-irmã da Red Bull na Fórmula 1, mas seu valor de mercado já alcançou números de gente grande. Segundo o jornal britânico The Times, o grupo austríaco recusou uma proposta de até US$ 3 bilhões pela escuderia baseada em Faenza.
A oferta equivaleria a aproximadamente R$ 15,3 bilhões, considerando o dólar na faixa de R$ 5,10. A conversão serve apenas como referência e pode variar de acordo com a cotação.
O negócio teria sido liderado pelo investidor norte-americano Dean Attew e pelo financista Andrew Herriot, com recursos provenientes de fundos sediados em Abu Dhabi. Red Bull, Attew e Herriot não haviam comentado publicamente a informação até a publicação da reportagem original.
Portanto, a existência e os termos da proposta devem ser tratados como informação atribuída ao The Times, e não como uma negociação oficialmente confirmada.
Quem é Dean Attew?
Dean Attew é cofundador da Titon International, empresa que atua na área de segurança, e possui uma relação antiga com os bastidores da Fórmula 1.
O investidor trabalhou próximo a Bernie Ecclestone, antigo comandante comercial da categoria, e foi apontado como possível líder de uma proposta para adquirir a F1 em 2016.
A categoria acabou comprada pela Liberty Media. Segundo os documentos oficiais da companhia norte-americana, a operação foi concluída em janeiro de 2017 e representou um valor empresarial de US$ 8 bilhões, com valor patrimonial de US$ 4,4 bilhões.
A distinção é importante: dizer apenas que a Liberty “pagou US$ 8 bilhões” não explica toda a estrutura financeira do negócio.
Red Bull já teria recusado outras propostas
A investida de US$ 3 bilhões não teria sido a primeira tentativa de compra da Racing Bulls. Conforme o The Times, a Red Bull recusou outras ofertas superiores a US$ 2 bilhões durante o último ano.
Não existem confirmações públicas sobre os interessados anteriores ou sobre as condições apresentadas. Ainda assim, os valores relatados mostram como as equipes da Fórmula 1 passaram a ser tratadas como ativos esportivos extremamente disputados.
O limite de gastos, a expansão comercial da categoria, o crescimento das receitas e o número restrito de vagas no grid ajudaram a elevar as avaliações das escuderias.
Comprar uma equipe existente também permite entrar imediatamente no campeonato, evitando todo o processo esportivo, técnico e comercial necessário para a aprovação de uma nova participante.
De Minardi a ativo bilionário
A atual Racing Bulls nasceu como Minardi, equipe italiana que disputou a Fórmula 1 entre 1985 e 2005. Dietrich Mateschitz, cofundador da Red Bull, adquiriu a operação no fim de 2005 e a transformou na Toro Rosso.
O projeto tinha como objetivo principal preparar jovens pilotos para a equipe principal. Sebastian Vettel, Max Verstappen, Daniel Ricciardo, Carlos Sainz, Pierre Gasly e Isack Hadjar passaram pela estrutura antes de avançarem em suas carreiras.
A escuderia virou AlphaTauri em 2020, adotou o nome RB em 2024 e passou a competir como Racing Bulls em 2025. Sua sede principal continua em Faenza, embora a operação britânica tenha sido aproximada da estrutura da Red Bull em Milton Keynes.
É uma trajetória curiosa: a antiga Minardi, conhecida por sobreviver com recursos limitados, agora seria avaliada em quase metade do valor empresarial atribuído a toda a Fórmula 1 no negócio fechado pela Liberty em 2017.
A comparação ajuda a dimensionar a valorização, mas envolve momentos e métricas diferentes e não deve ser interpretada como equivalência financeira direta.
O que as equipes podem compartilhar?
Apesar da propriedade comum, Red Bull e Racing Bulls precisam competir como construtores separados.
O regulamento técnico da FIA determina que cada equipe seja responsável pelo desenvolvimento dos chamados componentes listados, que incluem partes essenciais para a identidade e o desempenho do carro.
As regras permitem o fornecimento de determinados componentes transferíveis e o uso da mesma unidade de potência. Em 2026, as duas equipes utilizam motores desenvolvidos pela Red Bull Powertrains em parceria com a Ford.
Isso significa que a Racing Bulls não funciona simplesmente como um “carro de testes” da equipe principal. Existem áreas permitidas de cooperação, mas também limites técnicos e operacionais que devem ser respeitados.
Propriedade dupla continua sob questionamento
O controle de duas equipes pelo mesmo grupo permanece como um dos temas mais controversos dos bastidores da Fórmula 1.
Zak Brown, CEO da McLaren, enviou uma carta à FIA defendendo regras mais rígidas contra alianças e participações cruzadas entre competidores. Entre seus argumentos está o risco de que interesses estratégicos compartilhados afetem a percepção de independência e justiça esportiva.
Um dos episódios mencionados por Brown aconteceu no GP de Singapura de 2024. Daniel Ricciardo, então piloto da equipe de Faenza, marcou a volta mais rápida no fim da corrida e retirou de Lando Norris a possibilidade do ponto adicional. Como terminou fora das dez primeiras posições, o australiano também não recebeu o ponto.
A manobra estava dentro das regras vigentes, mas alimentou a discussão sobre o alinhamento de interesses entre as duas equipes da Red Bull.
Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, também declarou ao The Times que, em sua opinião pessoal, controlar mais de uma escuderia não representa o modelo ideal para a categoria. Ao mesmo tempo, reconheceu a complexidade jurídica, comercial e regulatória do assunto.
Venda não parece estar nos planos
Ao recusar uma oferta que teria alcançado US$ 3 bilhões, a Red Bull sinaliza que ainda enxerga valor estratégico em manter sua segunda equipe.
A Racing Bulls funciona como porta de entrada para jovens pilotos, amplia a presença comercial da marca no grid e compartilha tecnologias permitidas pelo regulamento. A partir de 2026, também integra o projeto de motores desenvolvido com a Ford.
A possível venda poderia reduzir as críticas sobre a propriedade dupla e abrir espaço para um novo investidor independente. Por outro lado, retiraria da Red Bull uma estrutura que ocupa papel central em seu programa de formação há duas décadas.
A oferta não confirmada pode não ter terminado em negócio, mas deixou uma mensagem clara: no mercado atual da Fórmula 1, até uma equipe considerada “júnior” já carrega preço de protagonista.
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