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Pirelli fecha a porta para o C6 e manterá cinco compostos na Fórmula 1 em 2027

O C6 pode guardar o capacete: a Pirelli confirmou que a Fórmula 1 continuará utilizando cinco compostos de pista seca em 2027, do C1 ao C5. A quantidade não mudará, mas o comportamento dos pneus, sim. A fabricante pretende ajustar desempenho e degradação para aproximar estratégias de uma, duas ou até três paradas. A ideia é simples: menos corrida decidida na calculadora e mais chefes de equipe suando no pit wall.

POR O CARA DO ESPORTE • 15/07/2026
Pirelli fecha a porta para o C6 e manterá cinco compostos na Fórmula 1 em 2027

A Fórmula 1 não ganhará um novo composto de pneus em 2027. A Pirelli decidiu manter sua gama de pista seca formada por cinco opções, do C1 ao C5, encerrando qualquer possibilidade de retorno do C6 na próxima temporada.

A confirmação foi feita por Dario Marrafuschi, novo diretor da divisão de esporte a motor da fabricante italiana, em entrevista ao Motorsport.com.

Embora a nomenclatura permaneça igual, isso não significa que os pneus de 2027 serão cópias daqueles utilizados atualmente. A Pirelli ainda trabalha na composição dos materiais e pretende reorganizar as diferenças de desempenho e degradação entre cada opção.

Em resumo: os nomes ficam, mas a receita da borracha ainda poderá mudar.

C6 está definitivamente fora dos planos

O C6 foi introduzido pela Pirelli em 2025 como o composto mais macio de sua gama. Ele chegou a ser utilizado em circuitos como Ímola, Mônaco, Canadá e Azerbaijão, mas não entregou a diferença esperada em relação ao C5.

A fabricante concluiu que os dois compostos apresentavam comportamentos próximos demais para justificar a produção e homologação de uma sexta alternativa. Por isso, o C6 foi retirado da linha preparada para 2026. AS

A possibilidade de recuperar o pneu para 2027 chegou a ser discutida internamente, principalmente pensando em circuitos de baixa aderência e velocidade reduzida. No entanto, a Pirelli optou por continuar trabalhando com apenas cinco níveis.

Marrafuschi utilizou o GP de Mônaco como exemplo. Mesmo em uma pista onde o composto mais macio teoricamente poderia ser útil, várias equipes escolheram largar com uma opção mais resistente. Para a fabricante, isso mostrou que adicionar outro pneu extremamente macio não produziria necessariamente estratégias melhores.

Além disso, um composto desenvolvido praticamente sob medida para Monte Carlo teria pouca utilidade no restante do calendário.

Cinco compostos, três escolhidos por etapa

A escala continuará começando pelo C1, opção mais dura e resistente, e terminará no C5, que oferece maior aderência e velocidade, mas normalmente apresenta durabilidade menor.

Para cada grande prêmio, a Pirelli seleciona três alternativas da gama. Dentro daquele fim de semana, elas recebem as tradicionais identificações:

Duro, com a faixa branca;

Médio, com a faixa amarela;

Macio, com a faixa vermelha.

Portanto, um mesmo composto não possui obrigatoriamente a mesma classificação em todas as etapas. Dependendo da escolha realizada pela Pirelli, um C3 pode ser o pneu duro em uma corrida e o médio ou macio em outra.

É o tipo de detalhe que parece simples depois da explicação — e volta a confundir metade da torcida assim que aparece a primeira tabela de pneus na transmissão.

Pirelli quer estratégias mais próximas

O principal trabalho para 2027 será definir uma diferença clara entre os cinco compostos. Cada pneu precisa entregar um ganho de velocidade proporcional ao desgaste que apresenta.

Se uma opção mais macia for significativamente rápida, mas durar poucas voltas, poderá incentivar uma estratégia com mais pit stops. Um composto duro, por outro lado, permitirá permanecer mais tempo na pista, mas cobrará seu preço no cronômetro.

O objetivo da Pirelli é fazer com que essas alternativas produzam tempos totais de corrida semelhantes. Dessa maneira, uma equipe poderá vencer tanto atacando com pneus rápidos quanto administrando um composto mais resistente.

Marrafuschi citou as corridas de Barcelona e da Áustria como exemplos de equilíbrio. Nelas, estratégias com quantidades diferentes de paradas apresentaram resultados próximos, oferecendo às equipes mais de um caminho competitivo.

Em Silverstone, entretanto, a diferença entre realizar uma ou duas paradas foi maior. Para 2027, a intenção é aproximar esses cenários.

Quando uma única estratégia é claramente superior, os engenheiros não precisam exatamente quebrar a cabeça: basta copiar o plano mais rápido. Quando duas ou três opções produzem resultados semelhantes, entram em cena o ritmo do piloto, o desgaste do carro, o tráfego e o momento escolhido para visitar os boxes.

É justamente nessa confusão organizada que as corridas costumam ficar mais interessantes.

Trabalho ainda passará por homologação

A Pirelli segue desenvolvendo os materiais que formarão os pneus da próxima temporada. A homologação está prevista para setembro, enquanto a distribuição definitiva dos compostos dentro da escala deverá ser estabelecida até o final de 2026.

Primeiramente, a fabricante precisa concluir o desenvolvimento estrutural. Depois, poderá utilizar os resultados dos testes para ajustar a velocidade e a degradação de cada composto.

Isso significa que o C1 de 2027 poderá ter características diferentes do atual, assim como ocorrerá com C2, C3, C4 e C5.

O desafio será criar intervalos suficientemente claros entre eles. Se dois pneus forem muito parecidos, um deles poderá se tornar desnecessário. Se a diferença for grande demais, algumas etapas poderão ficar presas a uma única estratégia competitiva.

Pirelli continuará na F1

A decisão também oferece continuidade em um período de mudanças importantes para a categoria. Fornecedora exclusiva da Fórmula 1 desde 2011, a Pirelli teve seu contrato prorrogado até o final de 2028. O acordo também contempla os campeonatos de Fórmula 2 e Fórmula 3. Reuters

Depois das grandes alterações técnicas introduzidas em 2026, a temporada seguinte será uma oportunidade para refinar os pneus com informações mais completas sobre o comportamento da nova geração de carros.

A Pirelli decidiu que não precisa de um sexto composto para alcançar esse objetivo. Em vez de aumentar o cardápio, trabalhará para tornar as cinco opções existentes mais distintas e estrategicamente relevantes.

O C6, portanto, não retornará para uma participação especial em Mônaco. Mas, se a fabricante conseguir equilibrar corretamente velocidade e degradação, os cinco pneus restantes poderão entregar algo muito mais importante: corridas em que nem os estrategistas tenham certeza de qual será o melhor caminho até a bandeirada.

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