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Menos virtual, mais velocidade: Hamilton diz ter melhorado após abandonar simulador da Ferrari

Lewis Hamilton decidiu fechar o simulador e confiar mais nos dados e nas próprias sensações. Segundo o heptacampeão, seu desempenho melhorou desde que abandonou a ferramenta durante a preparação para o GP do Canadá. A escolha contrasta com a de Charles Leclerc, que encontrou no ambiente virtual respostas importantes sobre o SF-26. Para Spa, porém, Lewis evita acelerar nas previsões: as longas retas podem aumentar a desvantagem da Ferrari para a Mercedes.

POR O CARA DO ESPORTE • 17/07/2026
Menos virtual, mais velocidade: Hamilton diz ter melhorado após abandonar simulador da Ferrari

Na Fórmula 1, as equipes gastam milhões para reproduzir virtualmente cada curva, zebra e reação do carro. Lewis Hamilton, por sua vez, encontrou uma maneira curiosa de ficar mais rápido: desligando o simulador.

O heptacampeão mundial revelou que não utiliza a ferramenta da Ferrari desde a preparação para o GP do Canadá. De acordo com o britânico, a decisão trouxe uma melhora significativa em seu desempenho e ajudou a construir uma ligação mais natural com o SF-26.

A experiência contrasta diretamente com a de Charles Leclerc. Enquanto o monegasco encontrou no simulador informações importantes para compreender o comportamento do carro, Hamilton percebeu que algumas das respostas virtuais não se repetiam quando chegava à pista.

Mesma Ferrari, mesmo carro e dois caminhos completamente diferentes. Se alguém ainda precisava de uma prova de que piloto não vem com configuração de fábrica, está aí.

Hamilton considera que simulador pode enganar

Hamilton utiliza simuladores desde 1997 e reconhece que a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para desenvolver o carro, estudar circuitos e preparar diferentes configurações.

O problema aparece quando aquilo que funciona no ambiente virtual não corresponde ao comportamento real do monoposto.

Antes do GP do Canadá, Lewis explicou que frequentemente encontrava uma configuração confortável no simulador, mas precisava desfazer parte do trabalho quando chegava ao circuito. Para Montreal, preferiu analisar dados de equilíbrio, frenagem e comportamento nas curvas ao lado dos engenheiros. Segundo o site oficial da Fórmula 1, a mudança não representou uma crítica à estrutura da Ferrari, mas uma tentativa de encontrar uma preparação mais adequada ao seu estilo.

Agora, em Spa-Francorchamps, o britânico confirmou que continua distante da ferramenta.

“Desde que parei, meu desempenho melhorou muito.”

A escolha produziu resultados. Hamilton foi segundo colocado no Canadá e em Mônaco antes de conquistar sua primeira vitória pela Ferrari em Barcelona. Além do novo método de preparação, o piloto passou a trabalhar com uma estrutura de engenharia reformulada e encontrou uma configuração que lhe permitiu atacar as curvas com mais confiança. A própria F1 destacou essa mudança como um dos fatores de sua evolução.

Ou seja, não foi simplesmente apertar o botão de desligar e encontrar três décimos perdidos atrás do monitor. O simulador saiu, mas em seu lugar entraram análise de dados, reuniões mais profundas e uma integração maior com os engenheiros.

Ferramenta funciona para Leclerc

O caso de Charles Leclerc mostra que o simulador não virou um vilão dentro de Maranello.

O monegasco afirma que o trabalho virtual o ajudou a compreender o SF-26 e a adaptar sua pilotagem às características do carro. Para ele, a ferramenta continua sendo uma parte importante da preparação dos finais de semana.

A diferença entre os companheiros mostra como a correlação entre simulador e pista também depende das sensações procuradas por cada piloto. Leclerc pode encontrar referências úteis na reprodução virtual, enquanto Hamilton prefere construir sua confiança analisando o comportamento apresentado pelo carro verdadeiro.

Lewis também não descartou definitivamente um retorno. Ele reconhece que o simulador continua útil em áreas como gerenciamento e distribuição de energia. O afastamento, portanto, não é uma aposentadoria virtual, mas uma pausa enquanto Ferrari e piloto trabalham para melhorar a correspondência entre os dois ambientes.

Spa deve testar os limites da Ferrari

Apesar da melhora recente, Hamilton desembarcou na Bélgica sem fazer promessas exageradas.

Spa-Francorchamps combina curvas de alta velocidade com extensos trechos de aceleração plena. Os setores inicial e final são dominados pelas retas, enquanto a parte intermediária exige estabilidade e carga aerodinâmica em curvas velozes como Pouhon.

É aquele cobertor curto clássico: colocar asa ajuda nas curvas, mas pode transformar o carro em passageiro nas retas. Retirar carga melhora a velocidade final, porém deixa o piloto com as mãos cheias no segundo setor.

Mesmo com a aerodinâmica ativa introduzida em 2026, as equipes ainda precisam encontrar um compromisso entre velocidade de reta e aderência nas curvas. A análise técnica da Fórmula 1 para Spa aponta que arrasto, gerenciamento de energia e condições meteorológicas continuarão decisivos.

A Ferrari foi mais competitiva do que esperava em Silverstone, mas Hamilton calculou que ainda existia uma diferença de aproximadamente três ou quatro décimos para a principal referência. Como Spa possui ainda mais tempo de aceleração plena, o britânico acredita que a distância poderá aumentar.

Nada de vender pole na sexta-feira e procurar desculpa no domingo. Hamilton chegou com o modo cautela ativado.

Pequenos avanços mantêm esperança

Mesmo sem colocar a Ferrari como favorita, Lewis elogiou o trabalho realizado em Maranello.

Segundo o piloto, a equipe continua encontrando pequenas evoluções antes de cada etapa. Nem sempre são mudanças visíveis ou capazes de transformar imediatamente a ordem do grid, mas ajudam a aproximar o carro da janela ideal.

Esse trabalho será especialmente importante em Spa. Além das longas retas, o circuito belga é conhecido por apresentar condições diferentes em pontos distintos da pista. Pode chover em uma curva enquanto outra permanece completamente seca — uma especialidade das Ardenas que costuma transformar qualquer estratégia bem organizada em um rascunho.

Hamilton aproveitou para defender a permanência de Spa no calendário. O circuito é um dos seus favoritos e, na avaliação do heptacampeão, oferece uma experiência que a Fórmula 1 não deveria perder.

Hamilton prefere bandeira vermelha a final atrás do Safety Car

O britânico também comentou o encerramento do GP da Grã-Bretanha, disputado atrás do Safety Car. Para Hamilton, quando existe segurança e tempo para uma relargada, a bandeira vermelha pode oferecer uma conclusão mais emocionante para pilotos e torcedores.

Lewis citou como exemplo o GP da Austrália, marcado por relargadas e uma disputa movimentada nas voltas finais. Ele reconheceu que a interrupção não costuma agradar ao piloto que ocupa a liderança, mas entende que receber a bandeirada atrás do carro de segurança deixa uma sensação anticlimática.

A discussão é delicada. Uma bandeira vermelha não pode ser utilizada apenas para fabricar espetáculo, pois também interfere nas vantagens construídas durante a corrida. Ao mesmo tempo, ninguém espera duas horas por uma prova para assistir ao pelotão completar as últimas voltas em fila indiana.

No caso de Hamilton, qualquer conversa envolvendo Safety Car e decisões nas voltas finais inevitavelmente resgata lembranças de Abu Dhabi em 2021. Desta vez, porém, sua proposta é simples: regras claras e, quando as condições permitirem, uma disputa encerrada com os pilotos acelerando.

Cada piloto com sua receita

Hamilton e Leclerc mostram que não existe manual único para extrair desempenho de um carro de Fórmula 1.

Um encontrou respostas no simulador. O outro percebeu que rendia mais quando deixava a ferramenta de lado e mergulhava nos dados reais. O importante para a Ferrari é que os dois caminhos terminem no mesmo lugar: um SF-26 mais competitivo.

Em uma categoria obcecada por acrescentar tecnologia, Hamilton melhorou retirando uma etapa de sua preparação. Às vezes, o décimo que falta não está escondido em uma atualização, numa asa nova ou em milhares de voltas virtuais.

Às vezes, basta fechar o programa e voltar a confiar no piloto.

NA ARQUIBANCADA

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