Itália consulta Guardiola, encontra obstáculo no sabático e acelera busca por novo técnico
A Itália consultou Pep Guardiola para comandar a seleção, segundo apuração da ESPN, mas recebeu a resposta de que o treinador pretende permanecer pelo menos um ano afastado do futebol. Outras três federações também teriam procurado sua equipe. A abordagem, porém, possui versões diferentes e não foi confirmada oficialmente.
A tentativa da Itália de contratar Pep Guardiola encontrou um adversário difícil de driblar: a vontade do treinador de passar um período longe dos bancos de reservas.
Segundo apuração da ESPN, a Federação Italiana de Futebol consultou a equipe do espanhol após a terceira ausência consecutiva da seleção em uma Copa do Mundo. O contato teria durado pouco mais de um minuto, tempo suficiente para que Guardiola informasse sua intenção de permanecer afastado do futebol por pelo menos um ano.
Outras três seleções também teriam procurado os representantes do treinador nas últimas semanas. Os países não foram identificados pela fonte, e nenhuma dessas abordagens foi confirmada oficialmente.
Relatos apresentam versões diferentes
A ESPN descreve uma conversa extremamente curta entre Guardiola e representantes da federação italiana. O jornal britânico The Times, entretanto, publicou uma versão mais ampla da movimentação.
De acordo com o periódico, Paolo Maldini e Leonardo viajaram a Barcelona e mantiveram contatos relacionados ao treinador durante três dias. O relato não significa necessariamente que Guardiola passou todo esse período negociando, mas apresenta uma dimensão diferente daquela atribuída à fonte da ESPN.
Nem a Federação Italiana nem Guardiola esclareceram publicamente como ocorreu a abordagem. Por isso, o interesse italiano pode ser tratado como uma sondagem relatada por veículos de imprensa, mas não como uma negociação formal ou avançada.
Nesse mercado, uma conversa de um minuto e uma agenda de três dias podem até fazer parte da mesma história. Sem confirmação das partes, porém, qualquer conclusão além disso seria correr mais que a bola.
Guardiola pretende descobrir a vida fora do futebol
O treinador deixou o Manchester City em maio de 2026, encerrando uma passagem iniciada dez anos antes.
Antes mesmo de sua saída, Guardiola já havia indicado que pretendia interromper a carreira por algum tempo. Em entrevista recente à Fox Sports, voltou a afirmar que não sente necessidade imediata de trabalhar e deseja aproveitar atividades que não estejam relacionadas ao futebol.
A posição apresentada aos interessados seria a mesma: nenhuma proposta será considerada enquanto durar o período sabático.
Algumas federações, segundo a ESPN, teriam demonstrado disposição para aguardar. A ausência de grandes torneios internacionais em 2027 oferece uma janela para projetos que miram a Eurocopa de 2028 ou a Copa do Mundo de 2030.
Isso não transforma Guardiola em candidato confirmado para nenhuma seleção. Significa apenas que seu nome continuará circulando enquanto permanecer livre no mercado — mesmo que o próprio treinador esteja mais interessado em fechar a agenda do que abrir negociações.
Holanda aparece como possibilidade, mas sem confirmação
A ESPN não identificou os outros três países que fizeram contato. A Holanda é apontada como uma das possíveis interessadas, mas não há confirmação de que a federação tenha apresentado uma proposta.
A seleção holandesa está sem treinador desde a saída de Ronald Koeman. O técnico deixou o cargo após a eliminação diante de Marrocos nos 16 avos de final da Copa do Mundo.
Guardiola também é mencionado há anos como um possível futuro técnico da Inglaterra. Neste momento, porém, Thomas Tuchel permanece respaldado para continuar o trabalho depois de levar a equipe à semifinal do Mundial de 2026.
A especulação inglesa representa uma possibilidade futura, não uma vaga disponível ou uma negociação em curso.
Itália reconstrói comando do futebol
A busca italiana começou depois da renúncia de Gennaro Gattuso, que deixou o cargo após a derrota para a Bósnia e Herzegovina na repescagem europeia.
O fracasso também provocou mudanças políticas e administrativas. Giovanni Malagò foi eleito presidente da Federação Italiana, enquanto Paolo Maldini assumiu os cargos de diretor técnico e presidente do Club Italia.
Leonardo, brasileiro campeão mundial em 1994 e antigo dirigente do Milan, foi contratado como consultor. A dupla trabalhará na reorganização esportiva da seleção e na escolha do próximo treinador.
As nomeações foram confirmadas publicamente pela federação. Já a eventual viagem para negociar com Guardiola permanece baseada nos relatos da imprensa.
Pirlo, Conte e Mancini aparecem no radar
Com Guardiola indisponível no curto prazo, a Itália avalia alternativas que conhecem profundamente o futebol do país.
Andrea Pirlo é apontado como um nome capaz de representar um projeto de renovação. Antonio Conte e Roberto Mancini também aparecem entre os candidatos mais experientes.
Conte, entretanto, afirmou em entrevista à DAZN que ainda não havia sido procurado pela federação. Por isso, sua condição de favorito deve ser entendida como avaliação da imprensa italiana, e não como sinal de acordo próximo.
Mancini comandou a seleção na conquista da Eurocopa disputada em 2021. Conte, por sua vez, esteve à frente da Azzurra entre 2014 e 2016. Pirlo nunca dirigiu uma seleção nacional.
A escolha envolve mais do que encontrar um treinador disponível. Maldini e Leonardo precisarão definir que tipo de projeto a Itália pretende desenvolver para não repetir os mesmos problemas na caminhada até 2030.
Três Copas consecutivas assistidas de casa
A Itália não disputa um Mundial desde 2014. A seleção ficou fora das edições de 2018, 2022 e 2026, algo difícil de imaginar para um país com quatro títulos mundiais.
Mesmo nas duas últimas participações, o desempenho esteve abaixo da tradição. A Azzurra foi eliminada ainda na fase de grupos em 2010 e 2014.
O título da Eurocopa representou uma recuperação importante, mas não conseguiu interromper a sequência de fracassos nas eliminatórias mundialistas.
A próxima decisão da federação, portanto, não será apenas sobre quem ocupará o banco de reservas. O treinador escolhido precisará trabalhar dentro de uma estrutura reformulada, recuperar a competitividade da seleção e iniciar um ciclo suficientemente sólido para chegar ao Mundial de 2030.
Guardiola seria o nome capaz de transformar a reconstrução italiana em manchete mundial. Por enquanto, contudo, sua resposta é simples: o futebol terá que esperar.
Redação O Cara do Esporte
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