Hadjar vai ao fundo do grid em Spa e aposta em corrida de recuperação na Bélgica
Isack Hadjar começará o GP da Bélgica no fim do pelotão após a Red Bull decidir trocar componentes da unidade de potência de seu carro. Com a classificação praticamente valendo apenas como treino de luxo, o francês concentrará a preparação no ritmo de corrida. A boa notícia é que Spa permite ultrapassagens. A ruim? Antes de atacar a subida da tabela, ele terá outros 21 carros pela frente.
O fim de semana ainda nem começou oficialmente, mas Isack Hadjar já conhece sua posição aproximada no grid do GP da Bélgica: lá atrás, onde o semáforo parece ficar alguns quilômetros mais distante.
O francês confirmou nesta quinta-feira, 16 de julho, que largará do fundo do pelotão em Spa-Francorchamps. A punição será provocada pela substituição de diferentes componentes da unidade de potência de sua Red Bull, levando o piloto a ultrapassar a quantidade permitida pelo regulamento da Fórmula 1.
Com isso, Hadjar espera ocupar a 22ª e última posição na largada de domingo, independentemente de seu desempenho na classificação.
O sábado, portanto, deixa de ser uma disputa desesperada por uma posição nas primeiras filas. O plano agora é preparar o carro para sobreviver ao trânsito e escalar o pelotão.
Hadjar muda o foco do fim de semana
Em entrevista ao Canal+, Hadjar explicou que a Red Bull dará prioridade ao ritmo de corrida. O desempenho em uma volta rápida continuará sendo importante para avaliar o carro, mas terá pouco impacto sobre sua posição definitiva no grid.
“Este é um circuito onde é possível ultrapassar. Muitas coisas podem acontecer.”
O piloto acredita que a Red Bull possui um bom ritmo e espera transformar a punição em uma oportunidade para protagonizar uma corrida movimentada. Hadjar confirmou ao Canal+ que deverá largar em 22º, embora os detalhes oficiais sobre todos os componentes substituídos ainda dependam da documentação técnica da FIA.
Como a posição de largada já está comprometida, a equipe poderá escolher uma configuração menos voltada para a classificação. Isso significa priorizar velocidade nas retas, comportamento com o tanque cheio, conservação dos pneus e eficiência durante as ultrapassagens.
É a famosa troca do “vamos buscar a pole” pelo “vamos colocar combustível e ver até onde dá para chegar”.
Por que a punição manda Hadjar para o fim?
Cada piloto pode utilizar uma quantidade limitada de componentes da unidade de potência durante a temporada. Quando esse limite é ultrapassado, entram em cena as penalidades no grid.
A primeira utilização de um componente excedente normalmente provoca a perda de dez posições. Novas violações podem acrescentar outras quedas. Quando a soma das punições passa de 15 lugares, o regulamento determina que o piloto comece a corrida no fundo do pelotão. As regras da Fórmula 1 estabelecem esse procedimento para as trocas que excedem a cota anual.
Hadjar chegou à Bélgica com um histórico complicado em relação à confiabilidade. O francês abandonou a abertura da temporada, na Austrália, por um problema na unidade de potência e também precisou administrar dificuldades técnicas durante o GP de Mônaco.
Apesar dos contratempos, conseguiu terminar em terceiro nas ruas do Principado. Foi um resultado importante, mas conquistado após aquilo que o próprio piloto definiu como uma das corridas mais longas de sua vida. Hadjar enfrentou problemas de funcionamento durante a prova e ainda assim preservou o pódio.
A Red Bull decidiu aproveitar Spa para renovar componentes e tentar reduzir o risco de novas falhas nas próximas etapas.
Spa é o lugar certo para pagar a conta?
Se existe um circuito no qual uma equipe pode aceitar uma punição desse tamanho sem cancelar imediatamente os planos para domingo, esse lugar é Spa-Francorchamps.
O traçado possui 7,004 quilômetros, sendo o mais longo do calendário. As grandes zonas de aceleração, principalmente na subida da Eau Rouge em direção à reta Kemmel, oferecem oportunidades reais para avançar no pelotão.
Além disso, as condições meteorológicas das Ardenas raramente respeitam qualquer roteiro. Chuva, pista parcialmente molhada, Safety Car e estratégias diferentes podem embaralhar completamente a corrida.
Isso não significa que a recuperação será simples. Para ultrapassar, Hadjar precisará administrar pneus, energia e tráfego. Também terá de evitar contatos nas primeiras voltas, quando vários pilotos estarão disputando posições em um pelotão compacto.
O francês poderá contar com a velocidade da Red Bull, mas terá de fazer o serviço completo. O carro ajuda; atravessar 21 adversários continua sendo responsabilidade de quem segura o volante.
Norris também será penalizado
Hadjar não será o único piloto importante largando abaixo da posição conquistada na classificação.
Lando Norris perderá dez lugares após a McLaren instalar uma quarta unidade eletrônica de potência em seu carro. O componente ultrapassa a cota permitida para a temporada e inclui atualizações de confiabilidade desenvolvidas pela Mercedes.
A McLaren também escolheu Spa de maneira estratégica. A equipe considerou que o circuito belga oferece melhores possibilidades de recuperação do que Hungria e Zandvoort, próximas etapas do campeonato. A penalidade de Norris foi confirmada oficialmente pela Fórmula 1.
Existe, porém, uma diferença importante entre os casos. Norris perderá dez posições, enquanto a combinação de componentes planejada para Hadjar deve mandá-lo diretamente ao fim do grid.
Se o britânico fizer uma boa classificação, ainda poderá começar a corrida no meio do pelotão. Hadjar terá uma missão bem mais longa.
Classificação ainda terá utilidade
Mesmo sabendo que largará no fundo, o francês não poderá simplesmente passear durante a classificação.
A sessão ajudará a Red Bull a compreender o comportamento do carro com pouco combustível e permitirá que Hadjar encontre ritmo antes da corrida. Seu resultado também poderá ser considerado na organização dos pilotos penalizados, dependendo das punições confirmadas até a formação definitiva do grid.
Além disso, qualquer mudança meteorológica pode oferecer informações valiosas para domingo. Em Spa, ignorar uma sessão porque ela “não vale muito” é uma maneira bastante eficiente de descobrir, algumas horas depois, que ela valia bastante.
A equipe deverá equilibrar a necessidade de coletar dados com o cuidado para não desgastar pneus ou assumir riscos desnecessários.
Domingo de ataque para Hadjar
A punição transforma o GP da Bélgica em uma corrida de recuperação antes mesmo da primeira volta.
Hadjar terá de aproveitar as longas retas, escolher bem os momentos de ataque e torcer para que o imprevisível clima belga ofereça alguma oportunidade estratégica. Um Safety Car no momento certo ou uma troca de pneus bem executada poderá acelerar sua escalada.
O francês já mostrou nesta temporada que consegue sobreviver a finais de semana complicados. Agora terá uma missão diferente: sair da última posição e provar que o fundo do grid é apenas o endereço da largada, não o destino da bandeirada.
Em Spa, pista para ultrapassar não falta. Resta saber quantos adversários Hadjar conseguirá deixar para trás antes que acabem as 44 voltas.
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