Dono do grupo ligado à Cadillac F1 e Andretti é alvo de investigação federal nos EUA
Empresas ligadas ao bilionário Mark Walter são investigadas por procuradores federais e pela SEC por possíveis falhas na divulgação de investimentos entre companhias relacionadas. O FBI cumpriu ao menos um mandado de busca em 2025, mas nenhuma acusação foi anunciada e não há indicação de que as equipes esportivas da TWG estejam sendo investigadas.
Redação O Cara do Esporte
O império empresarial do bilionário Mark Walter, proprietário de algumas das principais equipes e franquias esportivas do mundo, está sob investigação das autoridades norte-americanas.
Procuradores federais apuram possíveis irregularidades financeiras em duas seguradoras controladas pelo empresário e em setores da Guggenheim Partners, companhia global de investimentos da qual Walter é CEO e acionista.
A informação foi publicada pela Bloomberg, que ouviu pessoas com conhecimento do caso e consultou documentos regulatórios.
Walter também é CEO e copresidente da TWG Global, holding ligada à Cadillac na Fórmula 1, à Andretti Global e a outras equipes do automobilismo.
Apesar dessa conexão, não existe até o momento qualquer indicação de que a Cadillac F1, a Andretti ou as demais organizações esportivas estejam sendo investigadas.
O que está sendo investigado?
O centro mais recente da apuração envolve a Delaware Life Insurance e a Clear Spring Life and Annuity, seguradoras pertencentes ao Group 1001, que integra o conglomerado empresarial de Walter.
As duas companhias receberam intimações de um grande júri federal em fevereiro de 2026. Segundo documentos regulatórios apresentados em junho, os procuradores querem determinar se as seguradoras classificaram e divulgaram corretamente bilhões de dólares aplicados em investimentos de crédito privado relacionados a outras empresas do mesmo grupo.
Em outras palavras, a investigação busca esclarecer se determinados investimentos das seguradoras ajudavam a financiar ou sustentar outros negócios ligados a Walter sem que essa relação tivesse sido identificada adequadamente nos relatórios financeiros.
Após receberem as intimações, as empresas realizaram uma investigação interna e reconheceram a existência de “erros” em seus demonstrativos.
A Delaware Life informou posteriormente que possuía aproximadamente US$ 16 bilhões a mais em investimentos ligados a partes relacionadas do que havia divulgado inicialmente. Com a revisão, o total desse tipo de ativo subiu de US$ 1,4 bilhão para pelo menos US$ 17 bilhões — equivalente a 39% dos ativos investidos da seguradora no final de 2025.
A empresa iniciou um plano para reduzir essa exposição e aprimorar seus controles financeiros. A S&P Global Ratings manteve a classificação de força financeira da Delaware Life em A-, mas alterou sua perspectiva de estável para negativa.
FBI apreendeu um telefone celular
A apuração sobre as seguradoras foi precedida por questionamentos a respeito da divisão de gestão de ativos da Guggenheim, responsável por aproximadamente US$ 362 bilhões.
De acordo com as fontes ouvidas pela Bloomberg, parte dessa investigação envolvia informações fornecidas pela companhia a terceiros sobre suas receitas. A situação atual dessa frente específica da apuração não está clara.
O FBI também cumpriu ao menos um mandado de busca em setembro de 2025 para apreender um telefone celular. Não foi divulgado quem utilizava o aparelho nem a qual parte da investigação a apreensão estava relacionada.
A existência do mandado demonstra que houve uma medida judicial dentro da apuração, mas não representa, por si só, uma acusação ou comprovação de crime.
Investigações conduzidas por procuradores, pelo FBI ou por órgãos reguladores podem ser encerradas sem apresentação de denúncia ou aplicação de punições.
SEC conduz investigação paralela
A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, conhecida pela sigla SEC, também está analisando o caso em paralelo aos procuradores federais de Manhattan.
A SEC é responsável pela fiscalização do mercado financeiro norte-americano. Sua participação indica que as autoridades avaliam não apenas uma possível dimensão criminal, mas também o cumprimento das regras de divulgação e proteção dos investidores.
Até o momento, nenhuma denúncia criminal foi apresentada contra Mark Walter ou contra os executivos das empresas envolvidas.
A TWG Global confirmou que conhece a investigação e afirmou estar colaborando com as autoridades:
“A TWG está ciente da investigação e cooperando com ela.”
O Group 1001, controlador das duas seguradoras, também declarou que está cooperando. A companhia acrescentou que sua posição de capital e sua liquidez permanecem fortes.
A Guggenheim não apresentou comentários imediatos à Bloomberg. A SEC e o Ministério Público Federal de Manhattan também não comentaram publicamente o processo.
Qual é a ligação com Cadillac e Andretti?
Mark Walter não exerce o comando operacional diário das equipes, como poderia sugerir o material original. O empresário é CEO e copresidente da TWG Global e participou da criação da divisão TWG Motorsports ao lado de Thomas Tull.
A gestão esportiva da TWG Motorsports é comandada pelo CEO Dan Towriss.
O grupo reúne um amplo portfólio no automobilismo. Entre suas principais operações estão:
Andretti Global, presente em categorias como IndyCar e Fórmula E;
Cadillac F1, projeto desenvolvido em parceria com a General Motors;
Spire Motorsports, participante da NASCAR;
Wayne Taylor Racing, equipe que disputa a IMSA;
Walkinshaw TWG Racing, presente no campeonato australiano de Supercars.
Ao apresentar a TWG Motorsports em fevereiro de 2025, o próprio grupo informou que Towriss havia participado da formação da Cadillac F1 e da aquisição de participações na Andretti Global, Wayne Taylor Racing e Spire Motorsports.
Portanto, a ligação entre Walter e essas equipes é real. Entretanto, as apurações divulgadas até agora tratam das seguradoras e de partes da Guggenheim — não das operações esportivas.
Também não existe informação de que a preparação ou a participação da Cadillac na Fórmula 1 tenha sido afetada pelo caso.
Império vai muito além do automobilismo
Mark Walter possui investimentos em algumas das franquias esportivas mais valiosas do mundo.
O empresário é proprietário majoritário do Los Angeles Lakers, da NBA, e detém participação de controle no Los Angeles Dodgers, da MLB. Seu portfólio também inclui o Los Angeles Sparks, da WNBA, e uma participação no grupo responsável pelo Chelsea, da Inglaterra.
A TWG ainda está ligada à Professional Women’s Hockey League, principal liga profissional feminina de hóquei da América do Norte.
Essa presença transforma a investigação financeira em um assunto relevante para diferentes modalidades. Por enquanto, porém, qualquer eventual impacto esportivo seria apenas especulação.
O que existe concretamente é uma investigação sobre a divulgação e a classificação de investimentos entre empresas relacionadas, além da cooperação confirmada pelas companhias envolvidas. Não há acusação formal contra Walter nem evidências públicas de irregularidades dentro da Cadillac, da Andretti ou de qualquer outra equipe esportiva do grupo.
Comentários
Ainda não há comentários aprovados. Puxe a primeira resenha!
