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Ancelotti admite erro contra a Noruega e inicia renovação da Seleção: “Ideia é colocar uma nova geração”

Após a eliminação na Copa do Mundo, treinador indica o fim do ciclo de Neymar, Casemiro e Danilo, preserva Marquinhos como liderança e coloca a Copa América de 2028 como primeiro objetivo da reconstrução brasileira.

POR REDAÇÃO O CARA DO ESPORTE30/07/2026 • ATUALIZADO EM 30/07/2026
Ancelotti admite erro contra a Noruega e inicia renovação da Seleção: “Ideia é colocar uma nova geração”
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## Ancelotti admite erro contra a Noruega e inicia renovação da Seleção: “Ideia é colocar uma nova geração”

*Redação O Cara do Esporte*

Vinte e quatro dias depois da eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, Carlo Ancelotti voltou a falar publicamente sobre o trabalho na Seleção Brasileira. Em uma entrevista marcada por autocrítica, decisões sobre jogadores veteranos e planejamento para o futuro, o italiano apresentou as primeiras diretrizes do novo ciclo até o Mundial de 2030.

Ancelotti reconheceu que suas alterações contribuíram para que o Brasil perdesse o controle da partida decisiva contra os noruegueses, indicou o encerramento da trajetória de nomes como Neymar, Casemiro e Danilo na equipe nacional e afirmou que a comissão técnica pretende utilizar os próximos compromissos para observar uma nova geração.

A reconstrução, porém, não será conduzida de maneira radical. O treinador pretende preservar algumas lideranças, aumentar a integração com as categorias de base e formar uma equipe capaz de disputar o título da Copa América de 2028, apontada por ele como o primeiro grande objetivo do novo projeto.

A entrevista foi concedida ao **ge**, que publicou o conteúdo nesta quarta-feira, 29 de julho. citeturn346785search18

## Uma derrota que permaneceu por semanas

Ancelotti admitiu que a eliminação teve um peso diferente das derrotas que enfrentou ao longo da carreira em clubes. Sem uma partida poucos dias depois para oferecer uma resposta imediata, o treinador precisou conviver por mais tempo com a frustração.

Após o Mundial, o italiano viajou para o Canadá, onde esteve com familiares e iniciou as conversas com a comissão técnica e a Confederação Brasileira de Futebol sobre os próximos passos.

Segundo o treinador, o período foi marcado pela tentativa de compreender tanto os erros cometidos na competição quanto o impacto provocado pela derrota no país.

Ancelotti reconheceu que o Brasil deveria ter avançado além das oitavas de final. A Seleção foi eliminada em 5 de julho, após perder por 2 a 1 para a Noruega. Os noruegueses marcaram duas vezes na reta final, enquanto Neymar descontou de pênalti nos acréscimos. citeturn795646search2turn795646search4

O treinador afirmou que não dormiu na noite seguinte ao jogo e que sentiu especialmente a dimensão da decepção entre os brasileiros.

Mais do que uma derrota esportiva, Ancelotti enxergou o resultado como o ponto final de uma geração e o começo de uma etapa que exigirá paciência, observação e decisões difíceis.

## Neymar, Casemiro e Danilo chegam ao fim de seus ciclos

A mudança mais simbólica apresentada pelo treinador envolve alguns dos jogadores mais experientes da Seleção.

Ancelotti citou diretamente Neymar, Casemiro e Danilo ao falar sobre o encerramento da geração que disputou o Mundial de 2026. A tendência é que os três não façam parte da reconstrução planejada para os próximos quatro anos.

Neymar já havia indicado sua despedida da Seleção depois da eliminação. O atacante encerrou sua quarta participação em Copas do Mundo com um gol de pênalti diante da Noruega. citeturn346785search4turn346785news26

De acordo com Ancelotti, o término desses ciclos faz parte do percurso natural de um jogador. O italiano também revelou que manteve contato com alguns dos veteranos depois da competição e pretende conversar diretamente com todos os envolvidos.

Os próximos amistosos serão utilizados para avaliar atletas mais jovens e ampliar o número de opções disponíveis. A comissão técnica pretende observar não apenas talentos já integrados ao grupo principal, mas também jogadores do Campeonato Brasileiro e das seleções de base.

## Renovação não será uma ruptura completa

Apesar da decisão de abrir espaço para uma nova geração, Ancelotti não pretende substituir todo o elenco de uma vez.

O treinador citou **Marquinhos** como exemplo de jogador experiente que ainda pode exercer uma função importante. Para o italiano, manter algumas referências permitirá que o processo de renovação tenha continuidade, liderança e transmissão de conhecimento aos mais jovens.

A situação dos goleiros também será analisada com mais cuidado. Alisson, Ederson e Weverton formaram o trio levado ao Mundial, mas Ancelotti afirmou que deseja observar novos nomes da posição.

Isso não significa que Alisson e Ederson estejam automaticamente descartados. O treinador reconheceu que ambos ainda possuem nível técnico para defender a Seleção, mas deixou claro que a comissão acompanhará com atenção os jovens goleiros que atuam no futebol brasileiro.

A ideia, portanto, não é produzir uma demolição apressada. O plano passa por equilibrar experiência e renovação, evitando que a equipe chegue novamente ao fim de um ciclo sem substitutos preparados.

## Ancelotti assume responsabilidade por mudanças contra a Noruega

A principal autocrítica do treinador esteve relacionada às substituições feitas no segundo tempo contra a Noruega.

Ancelotti avaliou que o Brasil esteve bem organizado até a parada para hidratação. Pouco antes da interrupção, Neymar e Danilo Santos entraram nas vagas de Gabriel Martinelli e Rayan.

A intenção era aumentar a qualidade técnica no ataque e encontrar uma maneira de vencer a partida. No entanto, as mudanças alteraram o equilíbrio da equipe, especialmente pelos lados do campo.

Ancelotti reconheceu que, depois da reorganização, o Brasil perdeu o controle do jogo. A entrada de Neymar levou Endrick para uma função mais aberta, enquanto as saídas de jogadores com características de velocidade e profundidade reduziram a capacidade brasileira de atacar os espaços e proteger as laterais.

O treinador não classificou a escolha de escalar Neymar como influência da pressão popular. Segundo ele, nenhuma decisão foi tomada para atender ao apelo da torcida. A alteração foi uma tentativa esportiva de adicionar qualidade à equipe em uma partida eliminatória.

O resultado, entretanto, expôs o custo da escolha.

Ao admitir o erro, Ancelotti não rejeitou todo o trabalho realizado no primeiro ano. Ele sustentou que a preparação e a escolha dos 26 convocados foram adequadas, embora tenha reconhecido que decisões específicas tomadas durante a competição podem ser revistas.

## Estilo da Seleção deverá acompanhar as características do elenco

A entrevista também apresentou uma pista importante sobre o modelo de jogo pretendido para o novo ciclo.

Ancelotti rejeitou a ideia de que a Seleção precise controlar todas as partidas por meio da posse de bola. Na visão do treinador, o sistema deve ser adaptado às características dos jogadores disponíveis.

Com atacantes como Vinicius Júnior, Endrick, Estêvão, Rayan e Raphinha, o italiano entende que o Brasil pode ser mais perigoso em um futebol vertical, baseado em velocidade, profundidade e transições.

A comparação utilizada foi a campeã mundial Espanha. Ancelotti avaliou que a equipe espanhola conseguiu dominar a posse porque contava com uma geração numerosa de meio-campistas de alto nível e características associativas.

O Brasil, segundo ele, possui outro tipo de força ofensiva e não deveria abrir mão dela apenas para alcançar números maiores de posse.

Isso não significa abandonar o controle do jogo. O próprio treinador reconheceu que a Seleção precisa encontrar e desenvolver meio-campistas capazes de ampliar suas alternativas táticas.

## Formação de meio-campistas vira prioridade

Uma das conclusões mais relevantes da entrevista está no diagnóstico sobre a formação brasileira.

Ancelotti afirmou que o país continuará revelando talentos, mas apontou a necessidade de uma atenção especial aos meio-campistas. A Seleção pretende trabalhar mais próxima dos clubes para acompanhar o desenvolvimento desses atletas desde as categorias de base.

O treinador considera que a CBF não pode formar jogadores isoladamente. O processo precisa acontecer em parceria com os clubes, responsáveis pelo trabalho diário, pela evolução técnica e pela oferta de minutos em competições profissionais.

A aproximação com as seleções sub-15, sub-17 e sub-20 também será intensificada. Ancelotti enxerga as categorias inferiores como uma ponte para os Jogos Olímpicos e, posteriormente, para a Copa do Mundo de 2030.

A CBF já havia indicado que seu planejamento para o próximo ciclo envolveria maior integração entre as seleções e preparação de talentos para 2027 e 2030. citeturn795646search5

## Endrick, Estêvão, Rayan e Vitor Reis estão no radar

Ao falar sobre a nova geração, Ancelotti citou alguns nomes que já fazem parte das observações da comissão técnica.

Endrick, Estêvão e Rayan foram apontados como jogadores com potencial para assumir papéis importantes nos próximos anos. O defensor Vitor Reis também foi mencionado entre os atletas acompanhados.

Luiz Henrique, que teve poucos minutos na Copa, segue nos planos. Ancelotti explicou que o atacante encontrou concorrência de jogadores com características diferentes durante o Mundial, especialmente Rayan, mas continua sendo visto como uma opção de futuro.

O treinador também destacou que novos nomes deverão aparecer no Campeonato Brasileiro, inclusive entre os goleiros.

A intenção é ampliar o mapa de observação e não limitar o projeto aos atletas que já chegaram à equipe principal.

## Copa América de 2028 será o primeiro teste da reconstrução

Embora o projeto tenha como horizonte final a Copa do Mundo de 2030, Ancelotti colocou a Copa América de 2028 como o primeiro objetivo competitivo da nova Seleção.

O técnico considera que quatro anos permitem uma renovação mais estruturada do que aquela conduzida antes do Mundial de 2026, quando teve apenas uma temporada para avaliar jogadores, definir um sistema e preparar a equipe.

A meta é chegar à Copa América com um grupo já competitivo, e não apenas utilizar o torneio como laboratório.

O desempenho em 2028 funcionará como o primeiro grande termômetro do trabalho e ajudará a definir quais jogadores terão condições de seguir até o Mundial.

Ancelotti possui contrato com a CBF até a Copa do Mundo de 2030. A renovação foi anunciada pela entidade em maio de 2026. citeturn795646search1

## Recusa à Itália foi motivada por compromisso com o Brasil

Ancelotti confirmou que recebeu uma consulta da Federação Italiana para assumir a seleção de seu país.

O contato envolveu antigos companheiros de trabalho, como Paolo Maldini e Leonardo, mas o treinador decidiu permanecer no Brasil.

Segundo ele, a escolha não foi determinada apenas pelo contrato. Ancelotti afirmou que desenvolveu um compromisso com a Seleção e com o país durante seu primeiro ano de trabalho e que não desejava interromper o projeto depois da eliminação.

O treinador também reiterou que reside no Rio de Janeiro, onde mantém sua vida profissional e fiscal, embora passe alguns períodos com a família no Canadá.

A permanência representa uma tentativa de transformar a derrota em ponto de partida, em vez de encerrar o trabalho após o primeiro grande fracasso.

## Uma reconstrução entre continuidade e mudança

A entrevista de Ancelotti apresenta uma Seleção diante de uma mudança geracional, mas também expõe os desafios que acompanharão esse processo.

O Brasil precisa encontrar novos líderes, formar meio-campistas, observar goleiros, integrar as categorias de base e construir um modelo de jogo compatível com as características de seus principais talentos.

Ao mesmo tempo, o treinador terá de responder às críticas provocadas pela pior campanha brasileira em uma Copa desde 1990 e demonstrar que as lições da derrota para a Noruega serão incorporadas ao trabalho.

Ancelotti não prometeu uma revolução imediata. O que apresentou foi um caminho: preservar poucas referências, acelerar a entrada dos jovens e transformar a Copa América de 2028 no primeiro teste real da nova geração.

Para o italiano, o Brasil possui estrutura técnica, metodologia e talento suficientes para voltar a competir entre as melhores seleções do mundo. Depois da queda no Mundial, porém, essa convicção precisará ser reconstruída dentro de campo.

NA ARQUIBANCADA

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