Álex Márquez troca Gresini pela KTM e explica peso de voltar a uma equipe de fábrica
Álex Márquez afirmou que a oportunidade de liderar um projeto de fábrica pesou mais do que o aspecto financeiro em sua transferência para a KTM. Vice-campeão da MotoGP em 2025, o espanhol dividirá a equipe com Fabio Di Giannantonio a partir de 2027, justamente no início da era das motos de 850 cc.
Álex Márquez decidiu trocar um ambiente no qual recuperou sua carreira pela oportunidade de voltar ao centro de um projeto de fábrica. Confirmado na KTM para 2027, o espanhol explicou que a mudança representa a realização de uma meta estabelecida depois do vice-campeonato conquistado em 2025.
O piloto assinou um contrato de duração plurianual e formará uma dupla completamente nova com Fabio Di Giannantonio. Os dois chegam à equipe oficial austríaca após temporadas competindo com motos Ducati em estruturas independentes.
A transferência acontecerá justamente no início de uma transformação profunda na MotoGP. A partir de 2027, os motores terão a cilindrada reduzida de 1.000 cc para 850 cc, enquanto a Pirelli substituirá a Michelin como fornecedora exclusiva de pneus.
Nesse cenário, participar diretamente do desenvolvimento da moto ganhou um peso especial na decisão de Márquez.
Ser piloto de fábrica virou prioridade
Depois de terminar a temporada de 2025 em segundo lugar, atrás do irmão Marc Márquez, Álex estabeleceu como objetivo garantir não apenas um contrato diretamente ligado a uma fabricante, mas também uma vaga em uma equipe oficial.
Em entrevista ao site da MotoGP, o espanhol explicou que a KTM o procurou demonstrando interesse concreto em colocá-lo no centro do projeto. A abordagem fez com que ele se sentisse valorizado e ajudou a definir sua escolha.
“Precisamos de você e queremos você em nosso projeto”, teria dito a fabricante, segundo o relato do piloto.
Márquez também afirmou conhecer profissionais da KTM com quem trabalhou anteriormente. Antes de aceitar a oferta, ele procurou essas pessoas para obter informações sobre a estrutura e os planos da marca para o novo regulamento.
A oportunidade de participar da construção da primeira moto de 850 cc da KTM transformou a proposta em algo difícil de recusar.
Por que uma equipe oficial faz diferença?
Pilotos de equipes independentes podem receber equipamentos atuais e apoio direto das fabricantes, como acontece atualmente com Márquez na Gresini. Entretanto, a equipe oficial costuma ocupar uma posição central na avaliação de peças, atualizações e direções de desenvolvimento.
Essa proximidade será especialmente importante em 2027. Além do motor menor e dos novos pneus, a categoria terá alterações aerodinâmicas e deixará de utilizar dispositivos de ajuste de altura durante as voltas.
As fabricantes precisarão construir praticamente um novo pacote técnico. Nesse processo, a qualidade das informações fornecidas pelos pilotos pode acelerar — ou embaralhar completamente — o trabalho dos engenheiros.
Márquez acredita que seus sete anos de experiência na categoria principal poderão ajudar a KTM. Ao mesmo tempo, fez questão de delimitar sua responsabilidade: sua função principal continuará sendo andar rápido, disputar pódios e buscar vitórias.
Segunda oportunidade como piloto de fábrica
Esta será a segunda passagem de Álex Márquez por uma equipe oficial na MotoGP.
Sua estreia aconteceu em 2020, quando foi escolhido pela Honda para substituir Jorge Lorenzo. O espanhol iniciou aquela temporada ao lado do irmão Marc, mas precisou assumir mais responsabilidades depois que o então campeão sofreu uma grave lesão no GP da Espanha.
Álex terminou o campeonato na 14ª colocação, mas conquistou dois pódios consecutivos, em Le Mans e Aragón. Apesar da evolução, foi transferido para a LCR no ano seguinte e permaneceu na equipe satélite da Honda até o fim de 2022.
Na ocasião, ele chegou à estrutura oficial como novato e em circunstâncias inesperadas. Agora, retorna a esse papel como um piloto mais experiente, vencedor e preparado para ajudar a orientar um projeto desde o começo.
Dinheiro não foi prioridade, diz Márquez
Contratos com equipes de fábrica normalmente oferecem salários e benefícios superiores aos encontrados em estruturas independentes. Márquez, porém, declarou que o aspecto financeiro não foi determinante.
De acordo com o espanhol, pesaram mais o projeto, as pessoas envolvidas e o desejo de representar oficialmente uma fabricante.
A afirmação reflete o momento de sua carreira. Aos 30 anos, Márquez já não precisa apenas garantir permanência no grid. Depois de disputar o título em 2025, seu próximo objetivo é provar que pode liderar o desenvolvimento de uma moto e transformar esse trabalho em resultados.
Gresini devolveu competitividade ao espanhol
Se a KTM representa o próximo passo, a Gresini foi responsável por recolocar Álex Márquez entre os protagonistas da MotoGP.
O espanhol chegou à equipe em 2023 depois de duas temporadas difíceis na LCR Honda. Logo no primeiro ano com a Ducati, venceu a corrida sprint do GP da Inglaterra e voltou a demonstrar confiança.
A parceria alcançou seu melhor momento em 2025, quando Márquez disputou regularmente as primeiras posições e terminou o campeonato como vice-campeão.
Em 2026, passou a utilizar uma Ducati com especificação de fábrica, reconhecimento direto pelo desempenho apresentado no ano anterior.
Quando concluir a temporada atual, Álex terá completado quatro anos na Gresini — e não três, como aparece em algumas versões da informação sobre sua saída.
Conversa direta com Nadia Padovani
Márquez reconheceu que comunicar sua decisão à chefe da Gresini, Nadia Padovani, foi uma das etapas mais difíceis da negociação.
Segundo o piloto, os dois conversaram diariamente durante a definição do contrato. Ele havia prometido que avisaria diretamente a dirigente caso recebesse uma proposta de uma equipe oficial.
A reação misturou tristeza pela despedida e satisfação pela oportunidade conquistada. Conforme o relato de Álex, Padovani respondeu que ele merecia o novo desafio.
A separação, portanto, não acontece por insatisfação ou rompimento. É o encerramento de uma parceria que cumpriu seu papel para os dois lados: a Gresini recuperou um piloto competitivo, enquanto Márquez ajudou a equipe a disputar vitórias e o campeonato.
KTM monta dupla para liderar nova era
A escolha de Álex Márquez e Fabio Di Giannantonio indica que a KTM pretende começar 2027 com dois pilotos experientes, mas ainda em busca do primeiro título na categoria principal.
Ambos chegam de estruturas ligadas à Ducati e poderão levar referências importantes sobre o comportamento da moto que tem ocupado o centro da competitividade recente da MotoGP.
Até a mudança, Márquez ainda terá a segunda metade da temporada de 2026 para concluir sua história com a Gresini. Depois disso, começará o desafio de transformar uma oportunidade de fábrica em algo que ele já demonstrou ser capaz de buscar: vitórias e uma nova disputa pelo campeonato.
O contrato entrega a vaga desejada. A parte de acelerar a KTM até a frente do pelotão começa em 2027.
Redação O Cara do Esporte
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