ESPORTE SEM TERNO, NOTÍCIA COM RESPONSABILIDADE.
O Cara do Esporte
Automobilismo

Ferrari prepara modo “foguete” para Spa e pode abrir mão de solução do SF-26

Depois de vencer em Silverstone, a Ferrari chega à Bélgica disposta a trocar aderência por velocidade. A Scuderia planeja retirar o sistema FTM para recuperar potência e levar uma versão mais agressiva da curiosa asa “Macarena”, com ganho estimado de até 11 km/h nas retas. O desafio será fazer tudo isso funcionar em Spa, onde a previsão do tempo co

POR O CARA DO ESPORTE • 13/07/2026
Ferrari prepara modo “foguete” para Spa e pode abrir mão de solução do SF-26

A Ferrari venceu duas das últimas três corridas, voltou a incomodar a Mercedes e agora prepara mais uma transformação para o SF-26. Em Spa-Francorchamps, porém, a missão exigirá algo que nem sempre é confortável para um carro de Fórmula 1: abrir mão de carga aerodinâmica para correr como se estivesse atrasado para o pódio.

A Scuderia planeja levar uma configuração de menor arrasto para o GP da Bélgica, disputado entre os dias 17 e 19 de julho. Duas soluções estarão no centro das atenções: o sistema conhecido como Flick Tail Mode, o FTM, e uma versão atualizada da asa traseira apelidada de “Macarena”.

A aposta é simples de explicar e difícil de executar: perder um pouco de apoio na traseira para ganhar velocidade nas longas retas de Spa.

Ferrari quer deixar o SF-26 mais solto

O fim de semana complicado na Áustria serviu como uma espécie de aula prática para os engenheiros de Maranello. O SF-26 sofreu diante da força da Mercedes nas retas, e a conclusão interna foi que o carro precisava reduzir sua resistência ao ar.

A resposta começou a aparecer já em Silverstone. Mesmo chegando ao GP da Grã-Bretanha com expectativas cautelosas, a Ferrari encontrou competitividade e viu Charles Leclerc conquistar a vitória, a 250ª da equipe na Fórmula 1. Lewis Hamilton completou o pódio na terceira posição. Fórmula 1

Só que Spa é outro tipo de animal.

Com 7,004 quilômetros, o circuito belga é o mais longo do calendário atual e mistura curvas de altíssima velocidade com trechos extensos de aceleração plena. Carregar asa demais por lá é quase como entrar em uma corrida de 100 metros levando uma mochila.

Por isso, a Ferrari pretende deixar o SF-26 mais eficiente nas retas, ainda que precise sacrificar parte da estabilidade aerodinâmica.

FTM pode ficar guardado na garagem

A primeira mudança deve ser a retirada do FTM, solução desenvolvida pela Ferrari ao redor da saída do escapamento.

O sistema utiliza um pequeno elemento aerodinâmico para manipular o fluxo dos gases quentes e aumentar a carga na parte traseira. A ideia ajuda o carro nas curvas, mas tem seu preço: a restrição provocada na região do escapamento custa potência ao motor.

Segundo as informações técnicas disponíveis, o diretor técnico Loïc Serra pretende recuperar aproximadamente sete cavalos de potência ao retirar o sistema em Spa. Dino Beganovic já realizou um teste sem o componente durante o primeiro treino livre do GP da Áustria, antecipando uma configuração pensada justamente para a Bélgica.

Em resumo, a Ferrari deve trocar um pouco de traseira “colada no chão” por mais força nas retas. Em Spa, onde boa parte da volta é percorrida com o acelerador aberto, a conta pode fechar.

A solução continua permitida durante a temporada de 2026, mas a FIA decidiu fechar essa possibilidade no regulamento técnico de 2027. Dessa forma, a Ferrari também precisará encontrar outro caminho para recuperar futuramente a carga aerodinâmica produzida pelo FTM. The Race

A “Macarena” vem aí

A segunda arma preparada em Maranello é uma evolução da asa traseira conhecida informalmente como “Macarena”.

O apelido pode parecer saído de uma festa dos anos 1990, mas a solução é bastante séria. Com a nova aerodinâmica ativa da Fórmula 1, a asa modifica sua posição para reduzir o arrasto nas retas e volta à configuração de maior carga nas frenagens e curvas.

A versão desenvolvida pela Ferrari deverá aumentar a abertura entre os flaps e o perfil principal. A estimativa é de um ganho de até 11 km/h no final das retas — número importante em uma pista na qual velocidade máxima pode significar tanto uma ultrapassagem quanto uma defesa bem-sucedida.

Vale reforçar: trata-se de uma projeção técnica. O ganho real dependerá do acerto completo do carro, das condições da pista e da configuração escolhida durante o fim de semana.

Enquanto Red Bull e McLaren ainda enfrentam dificuldades para extrair todo o potencial de suas versões, a Ferrari demonstra maior confiança no funcionamento do conceito.

Problemas da Red Bull colocam sistema sob atenção

A cautela das equipes não surgiu por acaso. A Red Bull enfrentou duas falhas diferentes em sua asa móvel nas últimas etapas, ambas envolvendo Max Verstappen.

Na classificação do GP da Áustria, a asa traseira não retornou corretamente à posição de maior carga, e o neerlandês sofreu um acidente na curva 9. O problema voltou a aparecer em Silverstone, quando Verstappen perdeu o controle do RB22 na entrada da Stowe durante a corrida.

A própria Red Bull reconheceu que as causas exatas das duas falhas não foram iguais, embora o resultado tenha sido semelhante: perda repentina de carga aerodinâmica e um carro praticamente impossível de controlar. The Race

A Ferrari, por sua vez, acredita que sua solução está funcionando de maneira segura e consistente. A Scuderia não espera sofrer restrições da FIA e planeja utilizar a evolução normalmente na Bélgica.

Chuva pode embaralhar os planos

Como sempre acontece em Spa, existe um participante que não precisa de inscrição para interferir no resultado: o clima.

A previsão atual aponta possibilidade significativa de chuva nos três dias de atividade. O circuito fica localizado na região das Ardenas, onde é perfeitamente possível chover em um setor enquanto outro permanece seco — porque uma corrida em Spa aparentemente ainda não é complicada o suficiente. Sky Sports

Caso o tempo permaneça seco, a Ferrari também poderá utilizar um assoalho mais baixo para explorar a configuração de menor arrasto. Com chuva, no entanto, a equipe precisará reconsiderar a decisão.

Um carro muito baixo pode sofrer mais com a água acumulada na pista, enquanto uma configuração excessivamente descarregada dificulta a vida dos pilotos nas curvas molhadas. Nesse cenário, encontrar o equilíbrio entre velocidade e segurança será tão importante quanto qualquer atualização.

Simulador também trabalha horas extras

Apesar das especulações, a preparação da Ferrari no simulador não foi reduzida. Charles Leclerc e os pilotos de testes continuaram trabalhando no desenvolvimento do acerto para Spa, independentemente da participação de Lewis Hamilton, que historicamente demonstra menos entusiasmo pelas sessões no ambiente virtual.

Um dos principais pontos estudados é a gestão da energia elétrica.

As longas acelerações de Spa exigem planejamento cuidadoso na utilização e na recuperação da bateria. O circuito não apresenta exatamente os mesmos problemas encontrados em Silverstone, mas continua sendo um dos desafios mais complexos da temporada para o sistema híbrido.

Não basta ter energia disponível. É preciso liberá-la nos lugares certos para que o carro não fique sem força justamente no final da Kemmel ou em outro ponto decisivo da volta.

Ferrari quer provar que Silverstone não foi acaso

A vitória de Leclerc na Grã-Bretanha mostrou que a Ferrari encontrou um caminho competitivo, mas Spa oferecerá um teste bem diferente.

A Mercedes continua sendo a referência da temporada e deve ser especialmente forte nas longas retas belgas. Para enfrentá-la, Maranello pretende transformar o SF-26 em um carro mais veloz, mesmo que isso custe parte da carga aerodinâmica que ajudou a equipe em outras pistas.

Retirar o FTM, estrear uma “Macarena” mais agressiva, ajustar o assoalho e controlar a energia elétrica: a Ferrari chega à Bélgica com uma lista considerável de tarefas.

Se tudo funcionar, Leclerc e Hamilton poderão brigar novamente na frente. Se chover, o plano aerodinâmico pode mudar antes mesmo da classificação.

A única certeza é que a Ferrari vai a Spa querendo dançar. Resta saber se será de “Macarena” no pódio ou procurando aderência no meio das Ardenas.

NA ARQUIBANCADA

Comentários

Ainda não há comentários aprovados. Puxe a primeira resenha!

← VOLTAR PARA A CAPA