BMW dá o bote na chuva e vence as 6 Horas de São Paulo; Ferrari e Cadillac completam o pódio
Interlagos entregou tudo: ultrapassagens, punições, estratégias embaralhadas e até chuva para apimentar as voltas finais. No fim da maratona, o BMW #15 de Kevin Magnussen, Dries Vanthoor e Raffaele Marciello levou a melhor e venceu pela primeira vez no WEC. A Ferrari #51 terminou em segundo, enquanto o Cadillac #12 completou o pódio. Entre os brasi
Seis horas de corrida, mais de 200 voltas, trânsito pesado, punições, estratégias diferentes e uma chuva que resolveu aparecer justamente quando ninguém precisava de mais emoção. Interlagos fez jus à fama — e o BMW #15 soube aproveitar cada capítulo dessa história.
Kevin Magnussen, Dries Vanthoor e Raffaele Marciello foram os grandes vencedores das 6 Horas de São Paulo, quarta etapa da temporada 2026 do Mundial de Endurance. O trio colocou a BMW no lugar mais alto do pódio pela primeira vez no WEC após uma disputa marcada por mudanças constantes na liderança.
A Ferrari #51, pilotada por James Calado, Antonio Giovinazzi e Alessandro Pier Guidi, cruzou a linha de chegada na segunda colocação. O Cadillac #12 de Norman Nato e Will Stevens terminou em terceiro.
Não faltou gente querendo essa vitória. Cadillac, BMW, Alpine e Ferrari passaram boa parte da prova trocando posições, estratégias e algumas dores de cabeça. Porém, quando a bandeira quadriculada apareceu, foi o BMW #15 quem estava no lugar certo.
Magnussen abriu caminho para a BMW
A corrida começou de maneira limpa nas duas categorias. Os Cadillacs, que ocupavam a primeira fila, aproveitaram bem a largada e abriram vantagem nas voltas iniciais, enquanto a BMW tentava acompanhar o ritmo.
Kevin Magnussen não estava disposto a assistir à fuga de camarote. Ainda no começo da prova, o dinamarquês partiu para uma ultrapassagem agressiva sobre o Cadillac #38 na reta oposta e assumiu a segunda posição.
O tráfego dos carros da LMGT3 apareceu com apenas 15 minutos de corrida e rapidamente passou a interferir nas disputas da Hypercar. Em uma prova de longa duração, ultrapassar os retardatários sem perder tempo — ou pedaços do carro — também faz parte do serviço.
A primeira grande reviravolta aconteceu durante a rodada inicial de paradas. O Cadillac que liderava enfrentou um problema em uma das rodas e perdeu tempo precioso nos boxes. A porta ficou aberta, e a BMW não precisou de um segundo convite.
Com pouco mais de duas horas disputadas, Magnussen já aparecia na liderança, seguido por Cadillac e Ferrari.
Alpine entrou na briga, mas precisou parar
A Alpine também mostrou força e chegou a colocar seus dois carros nas primeiras posições depois das primeiras sequências de pit stops. O #35, com António Félix da Costa entre seus pilotos, tornou-se um dos principais adversários da BMW.
Com aproximadamente duas horas e meia para o fim, o Alpine #35 liderava, seguido de perto pelo BMW #15 e pela Ferrari #51. A diferença entre os dois primeiros chegou a ficar abaixo de um segundo, deixando claro que ninguém teria vida tranquila em Interlagos.
A BMW antecipou uma parada e entregou o carro para Raffaele Marciello, que retornou à pista na liderança. Mais tarde, já com Dries Vanthoor ao volante, o #15 voltou a enfrentar a pressão do Alpine.
Charles Milesi conseguiu superar Vanthoor quando restavam 46 minutos, aproveitando o tráfego da LMGT3 para tomar a primeira posição. A festa francesa, porém, durou pouco: o Alpine ainda precisava reabastecer e caiu para o décimo lugar depois da parada.
Foi aquele velho golpe das corridas de longa duração: liderar é ótimo, mas liderar com combustível suficiente é ainda melhor.
Com a Alpine fora do caminho, o BMW #15 retomou a ponta, seguido pela Ferrari #51 e pelo Cadillac #12.
Chuva aparece para deixar todo mundo acordado
O céu fechado acompanhou boa parte da prova e aumentou a tensão dentro das garagens. Os faróis foram ligados, a neblina tomou conta do circuito e um chuvisco apareceu no miolo de Interlagos.
A direção de prova declarou oficialmente a pista molhada quando restavam pouco mais de 24 minutos. A partir daí, qualquer erro poderia colocar seis horas de trabalho no ralo.
Nas voltas finais, a chuva finalmente ganhou força. Uma bandeira amarela chegou a ser acionada no S do Senna depois de um incidente envolvendo a Ferrari #50 de Antonio Fuoco e o BMW #20 de Robin Frijns.
Mesmo com o cenário traiçoeiro, o BMW #15 manteve o controle da situação. Vanthoor segurou a liderança e recebeu a bandeira quadriculada à frente da Ferrari #51 e do Cadillac #12.
Dia difícil para Pipo Derani
Pipo Derani não teve a corrida que esperava diante da torcida brasileira. O Genesis #17, compartilhado com Mathys Jaubert e André Lotterer, chegou a ocupar a oitava posição na metade da prova, mas perdeu terreno durante a segunda parte da disputa.
O trio também recebeu uma punição de dez segundos após um contato nas curvas 9 e 10. Derani assumiu o carro faltando cerca de duas horas para o encerramento, quando já aparecia na 15ª posição.
Sem conseguir recuperar terreno, o Genesis #17 terminou exatamente nesse lugar.
Racing Team Turkey vence na LMGT3
Se na Hypercar a BMW foi a protagonista, a vitória na LMGT3 ficou com o Corvette #34 da Racing Team Turkey, pilotado por Peter Dempsey, Charlie Eastwood e Salih Yoluç.
A categoria teve várias mudanças na liderança. Lexus, Aston Martin, Proton Competition, BMW e Corvette apareceram nas primeiras posições em diferentes momentos da corrida.
Na parte final, o BMW WRT #69 de Daniel Harper, Anthony McIntosh e Parker Thompson protagonizou uma bela disputa pelo segundo lugar. Harper pressionou o Ford #77 da Proton Competition e conseguiu completar a ultrapassagem quando restavam cerca de 25 minutos.
O BMW #69 terminou em segundo, enquanto o Porsche #92 da Manthey, conduzido por Richard Lietz, Riccardo Pera e Yasser Shahin, garantiu a terceira colocação.
Augusto Farfus, que dividiu o BMW WRT #32 com Sean Gelael e Darren Leung, viveu uma corrida de altos e baixos. O carro chegou a aparecer em quarto durante uma das janelas estratégicas, mas perdeu posições posteriormente e recebeu a bandeirada em 12º.
Interlagos faz Interlagos
As 6 Horas de São Paulo tiveram todos os ingredientes esperados de uma grande prova de endurance: diferentes fabricantes brigando pela vitória, tráfego intenso, problemas nos boxes, punições, estratégias difíceis de interpretar e um clima que permaneceu indeciso até os minutos finais.
No meio de toda essa confusão organizada, o BMW #15 foi rápido quando precisava, sobreviveu às mudanças de liderança e não desperdiçou a oportunidade deixada pela parada final da Alpine.
Magnussen, Vanthoor e Marciello saem de Interlagos com uma vitória inédita para o trio — e a BMW deixa São Paulo sabendo que, depois de seis horas de pancadaria esportiva, foi ela quem deu a última palavra.
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